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MTV BRASIL: RETROSPECTIVA GRÁFICA Quando a MTV surgiu, em 1981, ninguém podia imaginar que aquela pequena rede de TV se tornaria a expressão máxima não só da juventude pelos mais de 20 anos seguintes, mas também de tudo que era novo, mais inteligente e mais ousado e que por ela passaria antes tudo que se tornaria padrão depois. Vanguarda descolada sem pedantismo. E quando a MTV chegou no Brasil, em 1990, certamente ninguém podia imaginar que em pouco mais de dez anos aquela minúscula e subestimada rede de TV estaria criando conceitos que se tornariam sucessos absolutos para quaisquer das maiores empresas, como os popularíssimos "Acústicos MTV" e reality shows como os influentes "Na Real" e "Vinte e Poucos Anos". Além de sua influência em conceito, temática e jornalismo, talvez a maior contribuição da MTV do B para a mídia brasileira tenha sido sua linguagem visual. Se na virada dos anos 80 para os 90 a imagem que a MTV tinha para si era recheada de clichês, de imagens rápidas pseudofuturistas que se sucediam, multicoloridas, mais rápidas do que o nosso poder de absorção de idéias, aos poucos foi se criando um conceito diferente, sofisticado e moderno, não só acompanhando mas, de certa maneira, moldando a contemporaneidade. Sempre com a ajuda dos designers brasileiros, que não se rendem facilmente a deslumbres típicos e exageros da matriz e acabam se tornando inovadores em sua despretensão. Além de ser a porta de entrada e a escola de vários designers e mestres da linguagem, a MTV revolucionou totalmente a mídia televisiva do país. A publicidade utiliza-se da tal "linguagem MTV" a torto e a direito. As redes de televisão mais populares também se rendem quando querem estampar em seus programas um carimbo de sofisticação, modernidade ou simplesmente falar mais diretamente com seu público jovem e inteligente. A ousadia, coragem e o vanguardismo de sua linguagem gráfica são influências para toda forma de design feita no país, de capas de revista e CDs e embalagens de produtos a programas e propagandas de rádio e televisão. Sozinha, a Music Television impôs uma nova estética, ousada graficamente, que não subestima seu público e que intencionalmente e conscientemente causa estranhamento enquanto fascina. É a estética das informações ininteligíveis, da narrativa fragmentada, do humor cínico e das vinhetas graficamente estranhas, que instigam o espectador e criam empatia e identificação com o canal. Mesmo em seu principal e mais comentado e conhecido produto, os videoclipes, a MTV tem uma profundidade estilística e conceitual que se tornou parte do inconsciente coletivo e hoje é importante até mesmo para quem nega a sua influência. Mais do que uma simples promoção de um artista e uma música, o videoclipe é, acima de tudo, uma possibilidade irrestrita de linguagem e um laboratório para muitos diretores. Diretores estes que carregam a experiência para o cinema, a televisão e a publicidade, sem falar no rádio, na indústria musical, em todo o universo cultural e até mesmo nos costumes. Além dos diretores, há espaço na MTV para artistas gráficos, artistas plásticos, designers, jornalistas, apresentadores e pessoas interessadas em televisão em geral, todos unidos por uma intenção sincera de experimentar e ousar na forma de comunicação e todos contribuindo para a criação de todo o conceito da MTV Brasil, que acaba se tornando maior do que a soma de suas partes. A permanente reciclagem de idéias da MTV faz com que ela não se torne datada ou seja ou presa à estética de uma época específica, mas continue sempre criando estilos, trazendo algo de vanguarda do grande público e instaurando a discussão sobre o design e feito no país. Se hoje o "sotaque" brasileiro pode ser sentido na linguagem da MTV em suas vinhetas, gráficos, promos, IDs, apresentações e propagandas, com a retrospectiva MTV Brasil apresentada na mostra DES.*, dentro do RESFEST, pode-se acompanhar toda a evolução da estética, do estilo e da linguagem do canal. É uma compilação cronológica dos melhores trabalhos gráficos da TV desde sua fundação, mostrando todo o processo de criação de uma identidade visual própria, diferenciada da matriz americana, e que, além de influenciar, revolucionou a linguagem gráfica da televisão no Brasil e foi o modelo máximo para toda uma geração de designers brasileiros, em várias áreas. Completando a retrospectiva haverá também uma palestra com Jimmy Leroy, designer e diretor criativo do canal.
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